| Anonymous feedback. Tell us what you think. (more info) |
| Send us your message. |
| Read the messages we get here. |
![]() |
| Um Encontro com John Sherman Santa Mônica, Califórnia 26 de julho de 2009 |
Olá a todos e bem-vindos. Obrigado por estarem aqui. Tenho aqui um email que quero ler e comentar porque levanta questões sobre as quais eu gostaria de falar, e que eu esperava que alguém mencionasse em algum momento. Mas, antes disso, quero dizer algumas palavras sobre o que eu falo, sobre o que sugiro que você faça, e sobre o estado das coisas na interminável luta da existência humana para encontrar uma saída, um maneira de escapar desta sensação contínua de que tem alguma coisa errada, de que eu não sei como viver uma vida correta, de que eu preciso encontrar uma maneira de me libertar da sensação de que sou um prisioneiro, de que estou à mercê desta vida, desta mente; de que estou correndo perigo, de que sou um estranho em minha própria vida, buscando transformá-la e transcendê-la (ou a mim mesmo) de modo a por um fim a essa sensação de que há algo errado, de que há alguma coisa que eu ainda preciso decifrar nesta vida. Há mais ou menos cinco mil anos, os esforços da humanidade no sentido de encontrar uma solução para o dilema da condição humana passaram por uma mudança. Até esta época, os seres humanos se voltavam para os espíritos da floresta e os deuses e deusas, em busca de ajuda e salvação. Então, pouco antes do aparecimento do Buda, na época do desenvolvimento dos Vedas, dos Upanixades e de ensinamentos similares em outras partes do mundo, ocorreu-nos que poderia existir uma solução interior para o dilema da condição humana. Em vez da solução exterior, na qual recorríamos às forças externas, aos espíritos desencarnados, aos espíritos animais que tanto nos haviam cativado no passado, começamos a perceber a possibilidade de uma solução interior. Em outras palavras, ocorreu-nos que o problema talvez estivesse dentro de nós e não nas circunstâncias em que nos encontrávamos. Naturalmente, esse "nós" que tentamos corrigir, que tentamos transformar e transcender, é o sintoma e não a causa de coisa alguma. O "nós" que procuramos modificar é composto de pensamentos, desejos, aversões, apegos, resistência, confusão, ignorância, agressão, desesperança, e assim por diante, todas as ocorrências que formam a parada de fenômenos que é a nossa vida, nossa consciência e nossa mente, a interminável ascensão e queda de sensações, e de pensamentos conglomerados em torno das sensações. Mas nós tentamos, só deus sabe o quanto tentamos. Experimentamos inúmeras práticas espirituais e mundanas no esforço de encontrar uma maneira de nos tornar o que precisamos ser para nos libertar dessa ideia de que há algo de errado conosco. Ou de que há algo de errado com a minha vida, de que há algo que eu preciso fazer que não estou vendo; de que eu estou correndo perigo. Eu vejo toda a gama de atividades humanas, que inclui ensinamentos espirituais, entendimentos espirituais, práticas espirituais, ensinamentos religiosos, práticas políticas, a prática de buscar sexo, drogas e rock-and-roll, a prática de buscar o sucesso, a prática de buscar ganhos materiais e assim por diante como parte do mesmo esforço interminável de encontrar uma saída, de encontrar salvação de uma vida aparentemente repleta de dificuldade, confusão e erros. "Eu estou errado, estou sempre fazendo algo errado. Não importa o quanto eu tente, não consigo fazer nada certo." Nos últimos cinco mil anos, tentamos encontrar algo que funcionasse e, para a maioria, isso se traduziu em descobrir uma maneira de obter dinheiro, poder ou alívio através de substâncias e práticas. Para uma minoria dentre nós, isso resultou em um envolvimento com ensinamentos esotéricos e espirituais tais como advaita, etc. Eu sou o maior exemplo de alguém que experimentou todos os caminhos de fuga e salvação que pode encontrar. Se você refletir sobre o pouco que sabe da minha história, verá que fiz um monte de coisas e não apenas no campo espiritual. Fui operário metalúrgico especializado na fabricação de ferramentas, fui trambiqueiro, jogador inveterado, revolucionário, joguei bombas em propriedades em nome da destruição do capitalismo, passei dois anos na lista dos dez mais procurados pelo FBI, tomei parte de tiroteios e passei dezoito anos e meio na prisão. E, durante um curto período desse tempo, me tornei espiritual. Descobri o Budismo, o advaita e os ensinamentos de Gangaji, Papaji e Ramana. Mas nada disso adiantou. Até onde posso ver, nada funciona, a não ser da mesma maneira que um baseado funciona: se eu fumar, vai me dar um barato. O baseado vai me deixar viajando. Ele não vai por um fim a esse sentimento de que estou errado, de que há algo que estou fazendo que precisa ser desfeito, de que estou preso, sozinho e à mercê desta vida, mas ele vai me dar um barato legal. E se eu conseguir ganhar dinheiro, fama e fortuna, poderei desfrutar dos benefícios que essas coisas trazem, apesar de nenhuma delas trazer consigo o benefício da salvação desta sensação de estar perdido, sozinho e à mercê desta vida. Portanto, quando afirmo que essas coisas não funcionam, é isso o que quero dizer. Não quero dizer que elas não funcionam dentro de seu próprio contexto. Quero dizer que não trazem um fim à inquietude e à insatisfação de ser humano. Contexto é tudo. Eu não penso que ensinamentos espirituais sejam ruins, que a religião seja ruim ou mesmo que viajar com drogas seja ruim. Mas, por mais bem-sucedidos que sejam os nossos esforços, nenhuma dessas coisas traz um fim a essa inquietude incessante. Eu comecei há quinze anos, participando de encontros budistas. Estou nessa ocupação há dez anos e foi só nos últimos três anos comecei a ver com clareza o que de fato ocorreu nesta vida, e o que está disponível para todos. Algo absolutamente simples, completamente autossuficiente, algo que sempre funciona, no esforço para me ver livre da ideia de que tenho que encontrar a maneira correta de levar a vida, de que tenho que encontrar salvação e liberação, e me livrar da sensação de estar aprisionado nesta vida, nesta mente. A isso eu chamo de vichara. Mas quando falo de vichara, estou me referindo à vida como um todo, à existência em sua totalidade. Iniciar o vichara é tão simples, é mais fácil que mamão com açúcar. Vichara não requer que você abra mão de nada. Não requer que você adquira nada. Não requer que você acredite ou deixe de acreditar em nada. Não requer uma nova compreensão. Não impede qualquer compreensão nova. Não tem nada a ver com isso. Vichara requer apenas que você tenha um vislumbre passageiro da sensação de ser você, que é anterior a tudo mais. Sempre que puder, sempre que lhe ocorrer a ideia, sinta a sensação de ser você, apenas isso. Não do que você é, ou de uma compreensão mais profunda de sua natureza, nada disso. Simplesmente o sabor da sensação simples de "você". Na minha experiência, e na experiência de um número cada vez maior de pessoas com quem tenho conversado sobre isso, esse simples movimento, sem a necessidade de compreender porque ele acontece, nem mesmo de estar consciente de sua ocorrência, com o tempo nos livra desse medo e ansiedade subjacentes. Não diretamente, não de maneira que você possa dizer: "Ah, agora entendi e tudo aquilo desapareceu." É mais como um remédio. Com o tempo, pequenos vislumbres ocasionais da sensação de ser você eliminarão a impressão de que você precisa achar a maneira correta de viver a sua vida; de que você precisa descobrir como escapar dessa loucura de querer e não ter, de ter e não querer, de não poder fazer o que você quer e não poder deixar de fazer o que você não quer fazer. Acho que sei porque isso acontece, acho que sei porque funciona. O motivo pelo qual acho que funciona é bem simples, prático e mecânico. Vichara não precisa de nenhuma explicação espiritual e não requer a aceitação ou rejeição de entendimentos espirituais. Não requer a aceitação ou rejeição de qualquer compreensão religiosa ou teológica. No momento do nascimento, e quando digo "momento do nascimento", quero dizer o exato momento em que surge dentro de você a consciência de sua própria existência, essa sensação de saber que você é uma entidade distinta. Isso ocorre bem cedo, antes mesmo de você saber o que é "saber", certamente antes de você saber o que as coisas são. Nesse exato momento, simultaneamente, ocorre uma exposição ao interminável e intenso oceano de sensação, movimento, cor, temperatura, esse oceano selvagem de consciência, essa parada louca de fenômenos que constitui nossas vidas, sem que você possa ter qualquer outra relação com ela a não ser de terror. A única coisa que você sabe é o fato inarticulável de que você existe, em meio a esta loucura. O medo que surge neste momento, a sensação de estar em perigo, permanece conosco pelo resto de nossas vidas. Mas nem sempre é grande. Para alguns é grande mas, para a maioria de nós, não é grande coisa. É um murmúrio constante que sussurra: "Meus deus, caí nessa de novo!" Ou "Será que algum dia vou me livrar dessa sensação de estar em uma prisão?" Ou então "O que preciso fazer para me libertar?" Será que o Buda me libertará? Será que Ramana me libertará? Será que Jesus pode me libertar? O dinheiro pode me libertar? O sexo pode me libertar? E a compreensão? A filosofia? Isto permanece conosco pelo resto de nossas vidas. Essa corrente subjacente de ansiedade e medo neurótico é a verdadeira natureza do que é referido nos ensinamentos como sofrimento, como dukkha, como insatisfação e inquietude. Na verdade, é o medo da vida. Sendo esse o caso, e para compreender de maneira prática o que está acontecendo, podemos considerar esse medo como uma declaração sobre a nossa natureza, como um comentário sobre mim, afirmando que estou em jogo e estou correndo perigo aqui. Estou perdido e sozinho aqui. Estou em perigo e preciso encontrar um jeito de sair daqui, de escapar do perigo ou de me transformar em algo que sobreviverá, algo que a vida parece prometer, mas nunca cumpre. E se você considerar esse medo como uma espécie de comentário, a solução torna-se imediatamente óbvia. A afirmação de que você está em jogo aqui é verdadeira ou falsa. A afirmação de que você está em perigo aqui e precisa fazer algo diferente do que está fazendo para encontrar satisfação e plenitude é verdadeira ou falsa. E já que o comentário é sobre você, e você está sempre ao alcance de si mesmo (você está sempre aqui) a solução é olhar diretamente para a sensação de ser você. Não para obter uma nova compreensão, porque a obtenção de uma nova compreensão é apenas mais um movimento na esfera das tentativas de consertar a vida e a maneira através da qual a vida vê a si mesma e age sobre si mesma, mas apenas para tocar a si mesmo, simplesmente isso. E, de fato, com o tempo, aqueles que embarcam nessa atividade descobrem que o verme da ansiedade e da inquietude começa a morrer e, em sua ausência, essa sensação de alienação de sua própria vida começa a se extinguir. A impressão de que há algo errado começa a desaparecer, e a sensação de estar distante de sua própria vida começa a se desvanecer. Até onde posso dizer, o produto final de tudo isso é uma confirmação de parte dos ensinamentos espirituais. O fato é que essas vidas, exatamente como são, já são a realização que buscamos quando iniciamos a prática espiritual. Essa vida, essa parada de fenômenos que vai e vem dentro de nós é exatamente a realização em forma da consciência eterna e, na verdade, é o que sempre desejamos. Não precisa ser modificada, reformada, salva ou transcendida. Apenas precisa ser vista e observada. Assim como você. Em suma, é disso que falo hoje em dia, e estou muito satisfeito com a resposta que venho recebendo desde que grande parte da confusão começou a ser eliminada, na tentativa de chegar ao cerne da questão, em vez de continuar repetindo o que todos nós já sabemos, que "tudo é um", que "não existem dois", que "a consciência é eterna", e assim por diante. Semana passada tivemos um workshop em Ojai que durou a tarde inteira, com dois encontros. Organizamos este tipo de evento de vez em quando, com dois encontros em uma tarde. Desta vez foi em Ojai. Este tipo de evento nos permite ficar juntos mais tempo, com um pequeno intervalo entre as duas sessões para reflexão. Depois desse evento, alguém que nunca tinha estado comigo antes daquela tarde me enviou o seguinte email: John, Refleti sobre o que você disse e gostaria de dizer algumas coisas. Você diz que os ensinamentos não funcionam e que só o vichara funciona. Mas eu gostaria de sugerir que todos os ensinamentos levam ao vichara. Logo, são parte do processo. Tenho dificuldade em aceitar uma frase que repudia os ensinamentos, porque para mim eles levam à mesma compreensão da realidade que você ensinou no domingo passado. Afinal de contas, você não teria chegado aonde está agora se não tivesse passado por esse processo, não acha? Além disso, conforme eu entendi, e posso ter entendido mal, mas você mencionou que passou um ano no paraíso, e depois perdeu o paraíso. Não seria possível que você tenha tido uma grande realização, que o êxtase tenha durado um tempo e então passado, como acontece com todas as realizações? E não foi esse processo que o levou a questionar mais a fundo e, finalmente, desconstruir tudo para chegar à verdadeira pérola oculta? Portanto, quando você diz que nada funciona exceto isso que você encontrou por acaso, não seria o caso então que nada funciona a menos que a pessoa continue até chegar ao cerne da existência? Vou ler a última parte da carta, mas só depois comentar a primeira parte. É muito fácil pensar que o que estou dizendo é que os ensinamentos não funcionam. Mas não é isso o que estou dizendo, de forma alguma. Estou dizendo que os ensinamentos não produzem o que alegam oferecer, e que não cumprem as promessas de resultado que projetamos sobre eles, ou seja, a liberação e salvação definitivas. Na verdade, eles são muito eficientes na produção de efeitos, de estados, de compreensão e de insights dentro da sua esfera. Não vejo nenhum problema nisso. Contudo, eles não conduzem ao fim da infelicidade e do sofrimento. Eles não levam ao fim da sensação de estar sozinho e perdido na vida. Eles levam à necessidade de continuar os ensinamentos ou as práticas, já que produzem efeitos tão positivos em nós. Eles oferecem técnicas por meios das quais somos capazes de produzir estados positivos e melhorar estados negativos dentro de nós. Eles nos mostram maneiras de nos sentirmos melhor, mesmo quando as coisas estão péssimas em nossas vidas. E isso é bom. O que digo não é uma rejeição dos ensinamentos. O que eu estou tentando fazer é colocar os ensinamentos em seu próprio contexto, e o que quero dizer por contexto é o seguinte: Se você quer comprar um carro novo, a cor do carro pode ser extremamente importante, ela pode ser definitiva na decisão de comprar ou não o carro. Mas se o seu carro atual não está funcionando direito, a cor da pintura é um fator inteiramente supérfluo em relação ao bom funcionamento do carro. Isso não muda o valor e a importância da cor do carro em seu próprio contexto, mas no contexto do bom funcionamento do carro, a cor é totalmente irrelevante e pode ser facilmente descartada. Não descartada em termos fundamentais, como uma condenação existencial, mas descartada no contexto da operação adequada do veículo. É isso que quero dizer quando digo que os ensinamentos são totalmente irrelevantes. Não estou dizendo que não são belos. Não quero dizer que não têm efeito em sua esfera própria de ação. Não digo que não seja magnífico poder receber belíssimas e bem erigidas exposições de profundos ensinamentos metafísicos sobre a natureza da realidade. Essas coisas são de fato maravilhosas e possuem grande valor no contexto em que aparecem. Mas se você observar os resultados, o fato é que esses ensinamentos quase nunca produzem no indivíduo a eliminação do medo e da sensação de estar em perigo nesta vida. Portanto, neste contexto, eles nada têm a ver com a questão. A compreensão mais profunda, refinada e maravilhosa do vichara não é capaz de por um fim à infelicidade e insatisfação da vida humana. Até onde sei, e estou convencido disso, a única coisa que pode fazer isso é você olhar para si mesmo diretamente. Não o seu "Eu Superior", seu "Verdadeiro Ser", seu "Eu-Eterna-Consciência", ou seu "Eu Divino". Simplesmente você, a sensação de ser você, agora mesmo, neste momento. É olhar para si mesmo, de relance, sempre que lhe ocorrer a ideia, só isso. Você não conseguirá fixar a sua atenção na simplicidade da sua natureza por muito tempo. Mas não importa. Os vislumbres de relance, o saborear fugaz da sensação de ser você, estes momentos farão tudo que precisa ser feito. A pessoa continua: Afinal de contas, você não teria chegado onde está agora se não tivesse passado por esse processo, não acha? Que processo? Minha exposição aos ensinamentos espirituais durou no máximo dois anos. Na verdade, durou menos tempo ainda. Antes disso, vivi cinquenta e dois anos de atividade absolutamente selvagem e louca, buscando, querendo e tentando ser verdadeiro, tentando fazer a coisa certa, tentando saber o que eu deveria ser ou não ser. Tudo isso impulsionado pela mesma necessidade que me levou aos ensinamentos espirituais, que achei úteis, e pelos quais sou agradecido, mas que por si só nada fizeram além de me enriquecer. Portanto, se existe um certo processo pelo qual precisamos passar e os ensinamentos espirituais são a abertura no fim do túnel através da qual todo o esforço para nos libertar do sofrimento deve passar, não seria então um requisito que todos nós fossemos jogadores inveterados, operários especializados na fabricação de ferramentas, assaltantes de banco e pistoleiros? Sim, houve de fato um processo que me trouxe aqui, assim como houve um processo que levou Ramana ao mesmo insight. Ramana não chegou a esta compreensão por meio de ensinamentos espirituais. Ele chegou a ela por um caminho absurdo no qual, em meio à confusão causada pela morte do pai ainda jovem, Ramana se deitou no chão e fingiu de morto. Foi depois disso que ele se voltou para os ensinamentos espirituais para tentar explicar o que havia acontecido. A vida é um processo que se desenrola na esfera de causa e efeito, de infinitas mudanças, de movimento, de querer e obter, de não obter e descartar, e assim por diante. No caso das pessoas que escutam o que eu digo e são levadas a tentar por si mesmas, retornando então para me dizer que foram bem-sucedidas, é verdade que houve um processo pelo qual elas passaram. Mas o processo é totalmente idiossincrásico e depende completamente da predisposição do indivíduo, como Ramana gostava de dizer, e não pode ser reduzido a um "caminho". Se você está lendo ou escutando a gravação do que estou dizendo agora, olhe para si mesmo, seja qual for o processo que o trouxe a esse ponto no qual você pode olhar para si mesmo e saborear a sensação de ser você. Este foi o processo que o trouxe até aqui e se ele passou por um segmento espiritual ou não é absolutamente irrelevante. Em seguida: Você mencionou que passou um ano no paraíso e depois perdeu o paraíso. Não seria possível que você tenha tido uma grande realização, que o êxtase tenha durado um tempo e então passado, como acontece com todas as realizações? E não foi esse processo que o levou a questionar mais a fundo e, finalmente, desconstruir tudo para chegar à verdadeira pérola oculta? Sim, mas novamente, isso é idiossincrático. Isso foi o que aconteceu comigo, foi o que aconteceu nesta vida. A experiência de paraíso, na qual certamente houve uma realização e um período de êxtase e estados de deslumbramento, e o período no qual tudo aquilo desmoronou, com certeza reforçaram em mim o ímpeto de fazer qualquer coisa para me livrar do sofrimento. E daí? O fato é que o que finalmente descobri é muito mais simples do que se pode imaginar, tão simples que não tenho como falar disso com clareza e, se eu tivesse encontrado isso antes do meu primeiro assalto a banco, aquele primeiro assalto provavelmente jamais teria acontecido e o processo teria sido interrompido naquela época, em vez de ter continuado por mais trinta anos. Com relação a: Nada funciona a menos que a pessoa continue até chegar ao cerne da existência. Eu costumava afirmar com bastante frequência, e ainda acredito que é verdade, que qualquer coisa à qual você se dedicar de todo coração e sem reservas o trará de volta ao lar. O caminho do lar pode ser perigoso, tortuoso e tenebroso, mas se você o seguir de todo o coração, ele o trará até aqui. Mas eu também digo que você já está aqui, porque então se dar ao trabalho? Você já está aqui. Preciso dizer uma coisa. Eu adorei esse email. Ele me deu a oportunidade de falar sobre coisas das quais eu não poderia falar a não ser em resposta a esse tipo de desafio direto, que eu recebo de braços abertos, e pelo qual estou muito agradecido. O que geralmente digo sobre este medo é que se trata de um erro. É simplesmente um engano. Não é que deus ou algum demônio tenham determinado que assim seja. Ou que o universo seja tão perverso que ri furtivamente de nós, seres humanos, no momento em que ganhamos existência, algo que deveria ser uma grande aventura, uma aventura extraordinária que deveria nos encher de gratidão, e aí insere um pequeno detalhe, uma coisinha à toa que diz: "Espera aí, o que você vai fazer a respeito de toda essa loucura?" Não é assim. É apenas um erro. É um erro inevitável. Talvez existam pessoas que não tenham passado por isso mas, diante das circunstâncias, é algo inevitável. Mas é apenas isso: um simples erro. Um erro que pode ser corrigido de uma maneira muito simples, e que não requer que você seja íntegro e virtuoso, verdadeiro ou iluminado. Existe algo muito mais simples pode ser feito a respeito dele. Então, essa pessoa diz: Finalmente, a palavra "erro". Quem cometeu esse erro? A palavra "mal-entendido" é mais neutra, mas quem entendeu mal? Vamos falar primeiro da palavra "erro". Confesso que tenho preferência por palavras curtas e incisivas, que não funcionam tão bem na voz passiva. Se estou falando de alguma coisa e posso escolher entre "mal-entendido" e "erro", prefiro dizer "erro". "Mal-entendido" é melífluo e brando demais para o meu gosto. E quem cometeu o erro? Você cometeu o erro. Eu cometi o erro. Cada indivíduo humano, no momento em que emergiu na consciência de si mesmo, cometeu o erro. Ninguém poderia ter feito nada a respeito. É o tipo de erro que é inevitável. E é realmente desnecessário retrair-se em uma dança advaitista sobre quem cometeu o erro. Eu cometi o erro. E assumo a culpa por tudo, está bem? Estou extremamente agradecido à pessoa que escreveu essa carta e, na verdade, simpatizei imediatamente com ela. Não tenho como dizer como estou agradecido pelo fato dela estar disposta a discutir este assunto comigo e me pedir para abordá-lo, porque acho que esta conversa pode ajudar a esclarecer o meu ponto de vista, assim como o contexto dentro do qual eu falo. No fim das contas, tudo se resume a isso: você só precisa olhar e, num relance, sentir a sensação de ser você. Não é grande coisa, realmente não é. Podemos fazer disso uma grande coisa, eu mesmo faço isso com frequência, mas realmente não é grande coisa. É simplesmente você. É aquilo sobre o qual todos os ensinamentos têm feito tanto alarde. E também é aquilo sobre o qual toda a atividade religiosa, política, militar, econômica, todo tipo de atividade humana, têm feito tanto alarde. Mas, no final das contas, é apenas você. Nada de especial, só você. Assim, do jeito que você é, esse sentimento de estar aqui, a qualidade de "você" em você, só isso. Se você se lembra de um acontecimento na época em que era criança, qualquer coisa, não importa o que estava acontecendo, só importa que seja algo suficientemente presente em sua memória para que você consiga ter a sensação do que estava ocorrendo então. Pode ter sido um jogo de futebol, um programa na TV ou, no meu caso, saindo do cinema em uma tarde de verão. O filme era Winchester 73. Eu digo isso só para indicar qual é o tipo de memória que estou pedindo para você evocar: algo simples, mundano, mas de que você se lembra bem quando pensa na época em que era criança. Examine essa memória. Veja se não consegue se lembrar qual era a sensação de ser você naquele momento. E então veja se não é verdade que a sensação de ser você naquele momento é exatamente a mesma agora. É esse o eu a que me refiro. Olhe para esse eu sempre que puder, sempre que se lembrar. Você não conseguirá manter a sua atenção focalizada nessa sensação de si mesmo por muito tempo, porque você é simples demais, habitual demais para isso. A atenção não está tão interessada em você. Mas você pode ter um relance, e mais outro, e mais outro. Com o tempo, esses relances farão o trabalho e esse medo subjacente desaparecerá, assim como a sensação de ser um estranho em sua própria vida. E você perceberá uma intimidade crescente com essa mesma parada de fenômenos que parecia ser tão cheia de dificuldade e dor no passado. Certo. Terminei. Alguém quer falar comigo? É muito bom ouvir você falar. Tenho uma pergunta a respeito dessa questão. Já faz algum tempo desde que eu o vi pela última vez e, na verdade, sua mensagem ainda é bem semelhante. É nova, mas semelhante. É maravilhosa. A coisa sobre a qual gostaria de perguntar é que as vezes na minha vida em que me senti mais vivo são as vezes em que esqueci de mim mesmo: a primeira vez que bebi, ou a primeira vez que nevou, ou quando viajei a um país pela primeira vez, ou durante um jogo de tênis, sempre completamente absorvido no que estava fazendo. É quase como se eu tivesse sido apagado, retirado da situação, restando apenas a atividade. E eu busco essas experiências de estar em um estado de felicidade suprema, ou de estar próximo de uma pessoa poderosa, ou até mesmo em sua presença. É algo que normalmente interfere, mas que acaba sendo absorvido. Gostaria que você falasse sobre isso. O que você descreve é o que Ramana chama de "estado natural". É sobre isso que falo quando menciono o fim da alienação em sua própria vida, o fim dessa sensação de estar separado de sua vida, de ser o beneficiário ou a vítima de sua vida, de manter a sua vida à distância. É verdade que existem momentos espontâneos no decorrer de nossas vidas nos quais temos a sensação de que esta pessoa alienada está ausente, quando não há nada a não ser a vida se desdobrando. Esse é o estado natural. Esse é o estado que é de se esperar na ausência da sensação de estar em perigo, na ausência desta necessidade de prestar atenção a tudo, tentando encontrar uma maneira de viver uma vida correta. Para a maioria de nós, essas ocorrências se dão esporadicamente, e então tentamos repeti-las, seja tentando recriar as circunstâncias que as produziram, ou repetir a meditação ou o que quer que seja que as tenha causado, geralmente sem grande sucesso. Mas o fato é que você é assim mesmo. Não há nada aqui a não ser esta vida, esta parada de fenômenos. Você é a fonte de tudo, você nunca está ausente, você está sempre aqui. Mas você não está em jogo. Quando digo que vichara é a totalidade da vida e a existência inteira, quero dizer que nada está acontecendo em toda a existência a não ser a consciência consciente da consciência. Não há nada acontecendo em toda a existência, a não ser vichara, que é simplesmente esse olhar. Não tem nada mais acontecendo, tudo mais é inventado. Mas saber isso não ajuda, porque você já sabe isso, isso já lhe foi dito de uma maneira ou de outra, em algum ensinamento espiritual. Portanto, saber ou compreender isso não é suficiente. É apenas mais uma coisa que você adquire como parte de seus esforços para levar a vida correta, para ver as coisas com clareza, para compreender as coisas como são. Mas esse é o resultado. Essa é a sua natureza. Não é nem mesmo ser uma testemunha. Essa coisa de testemunha pressupõe uma separação entre você e a parada de fenômenos que é a sua vida, mas essa separação não é nada mais do que o fruto dessa sensação de estar em perigo, de estar em jogo, de estar correndo risco. E, obviamente, lembrando das coisas boas para poder reconhecê-las quando aparecerem novamente. Estou dizendo a verdade. Faça isso, sempre que se lembrar. Você não precisa fazer disso uma grande coisa. Os momentos reais de contato com a sensação de ser você são extremamente efêmeros, passam com muita rapidez, e não são grande coisa. Exceto que, com o tempo, eles resolvem todos os problemas e a separação entre você e sua vida se dissolve. Eu só posso contar com minha própria experiência como guia. E, infelizmente, não parece haver nenhuma maneira de reduzir isso a um punhado de instruções do tipo "você se senta, cruza as pernas, coloca as mãos de determinada forma, faz isso ou aquilo..." Não parece haver qualquer maneira de fazer isso. Mas só é preciso iniciar o esforço, sem fazer caso da certeza de que parecerá uma coisa estúpida. E o esforço é sempre recompensado. Ninguém fracassa. Como você poderia fracassar? Estamos falando de você. Não estamos falando de um deus, do Buda, do "verdadeiro ser" ou da "consciência eterna". Estamos falando de você. Está entendendo? Sim, sim. Portanto, você tenta e, se for como eu, haverá uma torrente interminável de comentários superegóicos: "Como você é estúpido! Isso não pode ser você. Não existe separação. Não existem dois, você não existe. Quem? Quem vai fazer isso? Quem? Quem?" [risos] Nada disso importa. Tudo isso se encontra no contexto da cor do carro. Simplesmente tente, e você será bem-sucedido, está bem? Está bem, obrigado. De nada. É bom ver você. Faz anos que tento falar sobre isso. E sinto que foi só nos últimos três anos que comecei realmente a dispersar a confusão e ir direto ao que interessa.
***
Você usa a palavra "vichara" com frequência. Não acredito que esta palavra seja compreendida pelo público em geral. Você deliberadamente evita o termo "autoinvestigação" ou eles são a mesma coisa? Ambos são verdadeiros. São a mesma coisa e eu evito o termo deliberadamente. O motivo pelo qual eu evito o termo deliberadamente é porque percebi que as pessoas sabem coisas demais sobre o autoinvestigação. Eu sabia muito sobre autoinvestigação. Eu conhecia a história do autoinvestigação desde a sua introdução por Sankara, e toda aquela coisa sobre limpar a lente... Eu conhecia a autoinvestigação há muito tempo, e este conhecimento tornou a autoinvestigação inútil para mim. Eles são essencialmente a mesma coisa. Todas essas coisas estão evoluindo. As coisas são diferentes agora. Temos cinco mil anos de experiência e prática. Seria de se esperar que nossa compreensão e nossa maneira de utilizar palavras e terminologia evoluíssem, que as coisas desnecessárias fossem descartadas e que pudéssemos ir direto ao que importa. Isso era tudo que importava para Ramana: ir direto ao assunto. Eu uso a palavra vichara da mesma maneira que usaria a palavra Tao. Vichara é uma palavra tão ampla que é muito difícil defini-la. Se você diz "atma vichara", isso reduz vichara à autoinvestigação. Mas sem o modificador, vichara quer dizer quase tudo. Procure a palavra em um dicionário de sânscrito e você verá. É impressionante a quantidade de coisas que vichara pode significar. Parece que significa qualquer coisa que você queira que signifique, assim como o Tao. Eu tenho uma certa afeição pelos ensinamentos do Tao, mas também vejo que, como todos os outros ensinamentos, os ensinamentos do Tao nos dizem como devemos ser, qual deve ser o nosso relacionamento com a vida, com as experiências, com os pensamentos, e assim por diante. Eles nos ensinam que não devemos resistir nada, que devemos nos deixar levar pelo fluxo da vida. Mas o conceito de Tao é idêntico ao que me refiro com a palavra "vichara". Vichara é tudo; vichara é a natureza da existência. Mas se digo "natureza da existência", já estou sendo específico demais. Agora estou falando sobre a natureza de uma coisa: a existência. E isso não é o que quero dizer. Então, quando alguém que não tem um dicionário de sânscrito, quando o público em geral ouve a palavra "vichara"... Eu sei que você diz que o termo é amplo e engloba tudo, mas será que você poderia simplificá-lo, e entendê-lo como questionamento ou reflexão? Vichara é a sua vida. Mas vichara é verbo ou substantivo? Vichara quer dizer olhar para a sua vida? As duas coisas. Vichara é tudo. E quando falo do ato de olhar para si mesmo como sendo vichara, quero dizer que este olhar é uma entrada no vichara. Quando uso a palavra "vichara", não é como um verbo, ou uma prática, nem como um invólucro que contém o que estou pedindo para você fazer. Quando uso a palavra "vichara", me refiro à natureza da realidade em sua totalidade, que é algo para você explorar e examinar. Você entende? Entendo. Quando digo "Olhe para si mesma", estou convidando você a entrar nesse vichara, para ver por si mesma qual é a natureza das coisas, qual é a sua natureza, qual é a natureza da realidade. Mas não de maneira que você possa fazer anotações do tipo: "Aquela pessoa disse que a natureza da realidade é uma coisa, mas essa pessoa aqui diz que a natureza da realidade é outra coisa." Este é um convite para você ver por si mesma o que você é. Explorar o vichara, assim como se explora o Tao. Sim, começando com você, porque você tem que começar com você. Se não começar com você, você estará simplesmente perpetuando o velho esquema. Primeiro você. Isso é tudo que existe. Exatamente. Obrigada, John. Ajudou? Sim, muito. Está bem. ***
Você mencionou algo extremamente interessante no início, o momento da concepção da consciência de si mesmo. O momento em você está no berço, ou antes disso, até mesmo no útero, o momento de consciência que se transforma no medo de sentir o seu braço ou dedo mexer, sentindo aquela sensação... Mas o medo que você mencionou foi do tipo: "O que acontece se isso desaparecer? Quem sou eu?" Antes da sensação, naquele milésimo de segundo atemporal em que o medo apareceu, antes mesmo de eu ter consciência de que estava consciente... Existe uma devoção, pelo resto da vida, no sentido de proteger isso? Sim, existe uma devoção, pelo resto da vida, à proteção disso. É essa a essência da infelicidade humana. Essa é a essência da infelicidade, a proteção daquela consciência do movimento ou dos fenômenos, seja lá o que for, atraente ou não... Para simplificar ainda mais, o que você passa a vida inteira tentando proteger desse oceano de fenômenos é você. Discutir isso de maneira impessoal não ajuda em nada. Aprendemos a falar sobre esses assuntos de forma impessoal, como resultado de ensinamentos espirituais antigos e bem desenvolvidos. Mas é só você. Nada mais, nada menos. É você mesmo que você está tentando proteger. Você nem sabe o que é consciência. Naquele momento, palavras e conceitos começam a entrar em jogo: não quero saber sobre isso, não me importo com aquilo... Passei a maior parte do tempo tentando me libertar de tudo isso, ou seja lá qual for o termo espiritual adequado. Você teve a mesma experiência? Eu dizia às pessoas que as estava ajudando, que estava assistindo em seu suicídio. Esse ponto de vista é antiquado? Porque é assustador pedir a alguém que se livre daquilo que acredita ser, mas que não é, certo? É um fenômeno temporário. Quando você diz que só existe você, você não acha que o ramo atma vichara secou e envelheceu demais? Aquilo que se tornou e, na verdade, o que sempre foi, desde o início, pertence ao contexto da cor do carro. Agora, compreenda o que estou dizendo sobre esse contexto. Estou dizendo que absolutamente tudo, o surgimento da existência fenomenal em sua totalidade, pertence ao contexto da cor do carro, inclusive os meus esforços na prática do atma vichara, a minha compreensão do atma vichara, e a história do atma vichara. Tudo isso pertence ao contexto da parada de fenômenos e é irrelevante em relação ao que pode ser realmente útil. De um ponto de vista prático, isto me ajudará a jogar fora todo esse lixo? Sim, o lixo simplesmente irá embora. Isso é como uma ferramenta mental ou uma flecha que perfura a psique para que eu possa abrir mão de tudo, como a água que é liberada de um dique? Ele remove a necessidade de aprender como abrir mão das coisas. É mais um antibiótico do que uma flecha. É mais como tomar um remédio. Você não tem a mínima ideia de como funciona. Você pode até ter uma ideia, mas a sua ideia não tem como conter toda a gama de atividade que entra em ação quando você toma um antibiótico para tratar uma doença. Você simplesmente toma o antibiótico e, com o tempo, você se sente melhor. É realmente simples. Vichara remove a necessidade de encontrar uma maneira de se livrar do lixo, ou de encontrar uma maneira de se livrar de si mesmo. O que é esse "si mesmo"? Você disse "se livrar de si mesmo." Eu que pergunto. Olhe e veja por si mesmo. Está bem. Não tem jeito de não conseguir. Quer dizer, você está aqui. Essa é a única certeza. Tudo o mais é provisório. Você entende isso, não é? Claro. Tudo é provisório, exceto a sua existência. O corpo é provisório, a sala em que estamos, a conversa que estamos tendo, tudo isso pode ser filosoficamente questionado como não estando aqui, como sendo inexistente, certo? Você pode ser convencido de que tudo isso não existe. Você só não pode ser convencido de que você não existe. E, sendo esse o caso, é muito fácil olhar para si mesmo de relance, sem se prender demais à ideia de que isso implicaria a presença de duas instâncias de "você", porque isso só leva à loucura. Se você chegar ao ponto de ter um vislumbre, este olhar funciona como um antibiótico. Está bem? Certo. Ajudou? Sim. Gostei de conversar com você. ***
Estou curiosa a respeito dessa conversa sobre proteção. Só estou tentando entender, porque fico imaginando se não existem diferentes níveis de proteção. Estou tentando compreender isso dentro de mim mesma e nas outras pessoas, porque eu mesma me protejo muito. Eu me dei conta de que preciso me proteger da energia dos outros e por isso não tenho muito contato com as pessoas. Eu realmente preciso controlar isso ou então me sinto esgotada. E não sei se isso é uma ideia que tenho a respeito de proteger a mim mesma, ou se as pessoas têm níveis diferentes e esse é um tipo diferente de proteção. Às vezes parece que estão interligadas, outras vezes não. Só estou tentando entender... Está bem, então vamos tentar entender. Mas já vou dizendo desde o início que isso pertence à esfera da cor do carro. Não importa se sua proteção é neurótica e ligada de alguma maneira ao medo da vida. Isto não vem ao caso. Não importa se ela ajuda você ou não. Isto não vem ao caso. A única coisa que importa é você. À medida que esse processo começa a surtir efeito nesta pessoa, nesta persona, pode bem ser que ela encontre maneiras de evitar ser perturbada ou distraída. Isso não é problema. Pode ser que esta seja uma maneira antiga de você tentar se manter segura e separada de sua vida, obedecendo a esse medo primordial, e isso também não é um problema, porque tudo isso pertence à esfera da cor do carro. O que for necessário permanecerá, e o que for desnecessário desaparecerá, isto é certo. Você compreende? Acho que sim, prestar atenção a isso não é o mais importante... Não. Mas não significa que você não possa prestar atenção a isso. Não significa que você não possa concentrar a sua atenção nisso e ter bons resultados, dentro de seu próprio contexto, certo? Por exemplo, "Ah, quem me dera não ser tão melancólica..." Isso pode ser gratificante, parte do grande prodígio que é o desdobramento desta criatura. Quero dizer focalizar na compreensão. Você diz que é a mesma coisa que se concentrar na cor do carro. Sim, é a mesma coisa. Certo. Mas você pode fazer isso. Isso não vai lhe fazer mal. Pode lhe dar prazer e não há nada de errado com o prazer. Na ausência do medo, na ausência total da alienação, pode ser que você encontre um grande e incessante interesse em psicologia. E daí? Não pode lhe fazer mal agora e em nenhum outro momento. Essa preocupação com a compreensão, tentando saber se é uma coisa boa ou ruim, se é um sinal de alguma outra coisa, é desnecessária. Ela também pertence à esfera da cor do carro. Entendeu? Acho que sim. É difícil ver como o que estou dizendo aqui é radical. Nada que você faz em sua vida, em sua mente, em sua compreensão, em seu entendimento, em sua resistência, em seu apego, em sua aversão, nada disso causa qualquer dano a você. A sensação de sofrimento é esse medo subjacente e a necessidade incessante de proteger a si mesma. Só isso. Todo o resto é a parada fascinante de fenômenos que é essa vida. Nada precisa ser feito a respeito dela. E o que precisar ser feito será feito. Se você chegar à conclusão de que a busca de entendimento é cansativa e entediante, você a deixará de lado eventualmente. Se ela lhe traz satisfação e plenitude, você continuará buscando enquanto for esse o caso. Acho que estou sempre buscando alguma resposta. Acho que as respostas vão mudar as coisas. Você é a resposta. Não há qualquer resposta a não ser você. Tudo o mais são fenômenos que surgem e comentários sobre os fenômenos que surgem. Tudo é uma dádiva. Tudo isso é uma dádiva grandiosa e maravilhosa, na qual a consciência pode ver a si mesma. Só isso. Não é nada mais do que isso, inclusive os horrores e o ódio. É tudo a mesma coisa. A única diferença é que, na ausência desse medo, o ódio e a propensão à destruição desaparecem, já que parecem estar diretamente ligados à necessidade de proteger a si mesma, de encontrar o lugar certo, de ter tanta certeza de que você está com a razão que você vai eliminar aqueles que discordam de você. E nós já vimos tudo isso acontecer. Mas você não precisa fazer isso a si mesma. Você não precisar se preocupar se esse pensamento é bom ou se aquele outro pensamento é ruim, se a busca de compreensão é boa ou se ela é um obstáculo. Você não precisa prestar atenção a nada disso se não quiser. Mas você pode prestar atenção se quiser. Simplesmente olhe para si mesma como vem fazendo, e tudo será esclarecido. Eu prometo. Está bem? Obrigada. O prazer é todo meu. ***
Acho que temos tempo para mais uma pergunta, e já que faz algum tempo desde que ela veio aqui pela última vez, vou falar com ela, está bem? Três pessoas levantaram a mão ao mesmo tempo. Você ganhou porque é novata. Vou ser breve. Tudo bem. Há três anos, acho que ouvi você dizer a mesma coisa, só que gostei muito mais então. O que você disse hoje parece simples demais. Havia uma progressão dramática no que você dizia antes que eu entendi, porque quando você está buscando, fazendo autoinvestigação, e você está ficando maluca e tentando não ficar maluca, e você está andando por aí nesse estado de confusão, e escuta "Não é o seu superior. Você nunca encontrará deus ou iluminação com a sua mente," você pensa: Graças a deus! "Não é o seu eu superior." Isso! Isso! "Não é o seu eu melhor." Sim! "Não é o seu eu divino." Isso! Isso! Você está vendo aonde quero chegar? "Está aí atrás dos seus olhos, agora mesmo, você." E eu entendi isso. Está bem. Qual é o problema? Nenhum. [risos] É isso. É só que eu gosto da progressão dramática. Entendi melhor com aquela progressão. Está bem. Não é o seu eu superior, não é o seu verdadeiro ser, não é deus, não é consciência eterna, não é amor incondicional. É isso que está aí, atrás dos seus olhos. É você. Agora mesmo. É você. Você está aqui. Aquela que nunca foi embora. Você nunca esteve ausente. E tudo o que eu peço para você fazer é olhar para isso de vez em quando. Sim. Não faça disso uma grande coisa. Não. Apenas olhe para isso. Está bem, mais uma pergunta. ***
Olá, como vai? Eu tive um vislumbre passageiro há algum tempo, sentada aqui com você. Sim, eu me lembro. E eu me lembro que mais tarde, quando voltei aqui, você me disse: "A coisa pode ficar um pouco feia depois de algum tempo." E ficou! Isto pode acontecer. Mas eu não acreditei em você na época. Eu pensei: "Ah, não, isso é bom demais!" Ninguém acredita. Então, o que está acontecendo agora, sem entrar em grandes detalhes, é que tudo que me traz segurança, como ter um lugar para morar, pagar o aluguel, o carro, o computador que uso o dia inteiro, tudo está em perigo, e a sensação de que estou correndo perigo aqui se tornou muito real e concreta na minha vida ultimamente. Sim, é melhor do que uma sombra. Não é mais uma sombra, ela está me azucrinando. E o que também é evidente é a sensação de que não é grande coisa, e que está tudo bem. Mas às vezes ela é meio sutil... Conheço muito bem o que você está descrevendo. Ela é bastante amorfa. Minha tendência é querer pensar... Não sei, não importa o que eu penso. É tão sutil que, quando você começa falar sobre ela, ela escapa por entre os seus dedos. É uma sensação interna, se eu posso expressá-la com palavras, é como se isso estivesse ocorrendo para que eu pudesse passar para outro nível de consciência. Sim, mas isso é apenas uma história. Sim, mas é o melhor que posso fazer quando tendo descrevê-la em palavras. Mas isso é apenas um comentário a respeito da sensação. Ela aparece sem a necessidade desse comentário. Eu tampouco sei como falar a respeito disso. Mas conheço muito bem essa sensação. Deixe-me apenas dizer uma coisa, para ver se estamos mesmo falando da mesma coisa. Houve uma época em que a minha vida estava sempre à beira do colapso, mesmo antes de eu acabar na prisão. Na prisão eu estava bastante seguro, não é? Sim, eles te dão comida... Eles te alimentam e cuidam de você... Mas antes disso, minha vida parecia estar sempre à beira do colapso absoluto: minha vida física, minhas circunstâncias, ter um lugar para morar, um lugar para ficar, comida, e assim por diante. Fui jogador inveterado durante muito tempo e também fui trambiqueiro durante muito tempo. Com frequência, ficava meses sem pagar o aluguel e a conta de luz e fugia de meus credores; não tinha dinheiro para gasolina, não tinha dinheiro para ir à mesa de pôquer, e vivia cheio de um horror, um terror, que realmente não sei como descrever. Era uma sensação doentia e nauseante de desesperança e desamparo. E eu sempre fugia. Abandonava tudo. Passava um monte de cheques sem fundo e ia para outro lugar para começar tudo de novo. É claro que minhas circunstâncias eram muito mais extremas do que as suas ou as da maioria das pessoas com quem falo. Mas não havia nada que eu pudesse fazer a respeito. Acho que poderia ter arrumado um emprego, mas não estou falando disso. Eu não podia fazer nada a respeito da resposta emocional ao colapso periódico e inevitável das minhas circunstâncias, a náusea e tudo mais. Nos últimos dez anos, desde que Carla e eu começamos esse trabalho, várias foram as vezes em que não tínhamos a menor ideia de onde tiraríamos dinheiro para pagar o aluguel. Nenhuma ideia de como pagaríamos a conta de luz, nem como compraríamos gasolina para ir ao próximo encontro espiritual e ganhar algum dinheiro. E quando isso aconteceu pela primeira vez, percebi logo que não tinha a menor propensão a fazer qualquer coisa a respeito. Havia um certo vazio. Não sei que outra palavra usar a não ser "vazio". Não tive qualquer reação nem qualquer ideia de que gostaria de fazer algo a respeito da situação. Eu ainda não estou lá... Estou apenas dizendo que é sobre isso que estou falando. Mas parece que estou chegando lá. Conheço isso muito bem. E não impede que você (assim como nunca impediu a mim ou a Carla) se esforce para encontrar uma maneira de pagar as contas e fazer a coisa certa. Acho que eu gostaria de descobrir como cultivar essa sensação. É impossível. Impossível? Isso pertence à esfera da cor do carro. Vou mudar um pouco de metáfora, se conseguir encontrar uma diferente. Tudo na parada de fenômenos pertence à esfera de causa e efeito. Pensamentos não afetam nada a não ser outros pensamentos. Tudo isso pertence à esfera de causa e efeito, que inclui o universo inteiro. Mas localmente a coisa é um pouco mais simples. Localmente, um dos elementos mais importantes na esfera de causa e efeito é essa sensação subjacente de medo e ansiedade. Ela faz parte das aparições fenomenais que determinam em grande parte a forma assumida pela persona em determinada circunstância. Entendi. Posso interromper? Esse encontro entre a consciência e os fenômenos, um certo "lugar" onde você é a vida, eu gostaria de saber o que é isso em relação a sentir que está tudo bem em meio ao caos. Você compreende o que estou perguntando? Não tenho certeza. Mas, em primeiro lugar, para mim todos os fenômenos são consciência. Não existe um encontro entre os dois. Essa é a aparência da consciência: fenômenos. Você está falando do relacionamento entre os dois na ausência desse medo? Estou falando do relacionamento com essa coisa amorfa que é subjacente a tudo, mesmo quando o que está acontecendo parece ser perigoso. Você está se referindo a você? Aí é que eu não sei. É você. Então essa coisa amorfa sou eu? Sim, isso. É você. Ela nunca muda, nunca se move, e não é afetada por nada. E eu a estou percebendo agora mais do que a percebia no passado? Não é que você a esteja percebendo mais, é que você a está percebendo mais conscientemente desde que começou a olhar para si mesma. A verdade é que o que está se tornando consciente é a percepção que já existe, que sempre existiu. Nunca houve um momento em que você não estivesse consciente de si mesma. Bem, a coisa mudou. Quando tive o insight pela primeira vez, era como se houvesse um "eu" atrás do meus olhos. Mas para mim, isso ainda é separado demais. É um começo, não é? Sim, mas a coisa não foi muito longe. Estava muito separada de mim. Na verdade, isso trouxe você até aqui. Sim, certo. Mas precisava progredir, precisava mudar. Não sei se você me ouviu usar essa metáfora antes. Quando você lê um livro, você se concentra no conteúdo do livro. Você se concentra na história que está sendo apresentada a você por meio da tinta no papel. E você segue as palavras, as sentenças, os parágrafos com muito cuidado, conforme vira as páginas. O tempo todo, embora esteja olhando apenas para as palavras e sentenças, você está sempre consciente do papel branco. Você nunca olha para ele, mas está sempre consciente dele. E, se começar a olhar para ele diretamente, você perceberá que agora está mais ativamente consciente dele. Ou fascinada por ele. É a mesma coisa. Então essa coisa amorfa é como o papel branco? Isso mesmo. E isso sou eu? É você. E você sempre viu isso. Está sempre lá. Simplesmente, você nunca olhou realmente. Quando você começa a olhar, sua presença se torna mais permanentemente aparente em sua consciência. Certo?Eu tive dificuldade quando você disse que ninguém tinha entendido, que nenhum dos ensinamentos do passado tinha eliminado essa necessidade de se proteger. E os seres iluminados? Quantos existem? Não sei, tem um monte deles por aí, achando que são iluminados... [risos] Quantos? Me dê um número. Conte e então compare este número com os bilhões de pessoas... Não estamos falando sobre números aqui. Mas eu estou. Vamos tomar Ramana como exemplo. Ele se deparou com isso acidentalmente, enquanto fingia de morto aos dezesseis anos de idade. Ele não tinha nenhum treinamento espiritual, não tinha nenhum interesse espiritual e não tinha nenhum interesse religioso em particular. Ele simplesmente descobriu isso por acaso. Então ele se voltou para os ensinamentos espirituais para tentar compreender o que tinha acontecido com ele. Mais tarde, quando passou a falar com as pessoas sobre isso, ele utilizou o que havia aprendido sobre os ensinamentos espirituais, não para encorajá-las a embarcar em um caminho espiritual, mas para trazê-las de volta ao que realmente importa. É um pouco como no judô. Ele se servia da própria erudição para atrair a atenção e a confiança das pessoas, e então conduzi-las ao que realmente importa. É verdade que, ao longo dos anos, muitas pessoas se deram conta da realidade acidentalmente e então descobriram que não tinham mais medo. Também é verdade que muitas delas estavam participando de uma aventura espiritual quando isso aconteceu. Mas o fato de que elas estavam envolvidas em uma aventura espiritual quando isso aconteceu é irrelevante, pois também pertence à esfera da cor do carro. Você não está dizendo que elas não existem, está? Não. Só estou dizendo que a coisa não aconteceu da maneira que pensamos que aconteceu. Certo? Certo, entendi. Gosto de conversar com você. Estou tão apaixonado por vocês que não sei como expressar minha afeição. Passei a maior parte da minha vida separado das pessoas, mantendo as pessoas à distância. Eu realmente não estava interessado em gente. Eu achava que todo mundo era estúpido, exceto eu. Agora, nessa vida fantástica que me tomou de surpresa, estou constantemente impressionado com os seres humanos, como são maravilhosos, absolutamente corajosos e dispostos a arriscar tudo. Esse relacionamento que tenho com todos vocês é valioso para mim e me ensinou tudo que sei. Estou muito agradecido pela sua presença, pelo tempo que vocês passam comigo, por estarem dispostos a me ouvir, a tentar fazer o que sugiro, a discutir comigo e me desafiar. Isso é muito importante. O desafio é muito importante, é a maneira através da qual as coisas podem ser vistas mais claramente. Portanto, muito obrigado. Eu amo todos vocês, estou muito agradecido. Eu amo vocês para sempre. Obrigado.
Traduzido do inglês por Ronny Prestes Lemos. Tradução revista por Carla Sherman. © 2010 John Sherman. Alguns direitos reservados.
|
![]() |
|
Your single donations and monthly pledges make up 91% of all income to the foundation. We need to raise $56,500 to finance and sustain our work over the next twelve months. |
|
![]() |
As of August 24: |
| Worldwide Online Meeting | Saturday, September 11 at 4 pm PDT (UTC/GMT -7) People all over the world gather together with John for a couple of hours. John is available to listen to your questions, and to help you sort out any difficulties you might experience in your own practice of looking at yourself. This is very much like a call-in radio show. If you simply want to listen to the meetings, all you need to do is to install the software and have speakers attached to your computer. If you wish to speak with John, then you will need a headset with microphone. You can also use earbuds and a microphone. |
| More information. | |
All our events are always free of charge. Spontaneous donations for the support of our work are always welcome and gratefully accepted. All are welcome, with no regard for religious and spiritual beliefs and practices.
|
|
| Download our 2010 Schedule of Events: | |
|
| |
| Brief report on what was accomplished in 2009. | |
| If you shop online, shopping through iGive.com can provide us with financial support at no cost to you. Use this customized link to register with iGive and we'll get $5 when you sign up and make a purchase online within 45 days of registration. | |
| Sign up and support our work at no cost to you. | |
| More information. | |
| Look At Yourself and Meeting Ramana Maharshi by John Sherman are available as free ebook downloads. | |
| More information | |
| Featured Letter of the Month | |
| We receive many, many beautiful and useful letters. Every month we try to feature one here that seems especially valuable and instructive for one reason or another. | |
| Podcast | |
A Worldwide Meeting - July 10, 2010 My role in this adventure of trying to bring the simplicity of this work to every human being is not to concoct teachings, ways of looking at things, instructions and practices that are my creation, and then pass them on to you for you to receive gratefully, and try to make sense of. My role here is actually to distill and articulate the product of an ongoing conversation among all of us, over a period of more than ten years now, about the discovery that bringing an end to misery in a human life is actually not only possible but easy and simple, and can be done by anyone. It requires nothing at all to accomplish this except the determination to do one simple, solitary, radical act, and that is to turn the beam of your attention onto the feeling of being you. That's it. In the end, and against all odds and all expectation, this repeated act will bring sanity into your life. It will eliminate the underlying sense that life is treacherous and not to be trusted, and that something desperately needs to be done about it. Complete, live recording of a Worldwide Online Meeting with John Sherman broadcast live from Ojai, California on July 10, 2010. |
|
| Podcast | |
| Video Blog | |
Our Work First, last, and always, my advice is only to look at the feeling of being you, without the mediation of understanding, the need to resolve paradox, or the requirement that this looking lead to any conclusion. Simply make every effort just to look, and persist in that effort as often as you can. In this effort, understanding is irrelevant, belief is irrelevant, even duration is irrelevant — the briefest look, repeated over time, does all the work. A Message from John Sherman, videotaped in Ojai, California on May 15, 2009. |
|
| Watch and download this video. | |
| RiverGanga Toolbar | |
| The toolbar gives you instant access to our podcast, videos, transcriptions, artices, excerpts, and more. You can also use it to follow us on Twitter. | |
| More information. | |
| Rides Needed & Rides Offered Accommodations Needed & Offered |
|
| Use our BULLETIN BOARD to request and/or offer rides and accommodations for events with John Sherman. | |
| Bulletin Board | |
Our work is to bring the practice of looking at oneself to all who are interested. The only problem anywhere to be found is the false belief that you are at the mercy of your life, and the only solution is the truth, which is everywhere and always present and self-evident. Ridding oneself of the false is as easy as repeatedly tasting the truth of being here, unmovingly, unchangingly here. This repeated looking directly at oneself is the infallible method of the vichara. Although our meetings are free of charge, they are certainly not free of cost. The money needed for this work must come entirely from the generosity and compassion of those who, like us, have seen for themselves the immense worth of spreading this good news to all humanity. Please help provide financial support for the work of making this method more widely available in the world by making a donation or a monthly pledge in any amount now. All gifts to the RiverGanga Foundation are fully tax-deductible as charitable donations. |
|
| Read a brief report on the work accomplished in 2008. |
|
| RiverGanga News is a free email newsletter bringing current information about John Sherman and the RiverGanga Foundation. | |
| Sign up or manage your current subscription. | |
| We need volunteer help in many areas. If you have any talent, skill or calling you'd like to give to this work, please contact us. You can call us at (805) 649-1600 or email us: volunteers@riverganga.org | |
| More information | |
RiverGanga Foundation RiverGanga Foundation is a not-for-profit, 509(a)(2) public charitable organization under Section 501(c)(3) of the United States Internal Revenue Code. Our Internal Revenue Service Employer ID Number is 77-0561647. All donations are tax deductible for US residents as charitable contributions. Click to view our letter of determination from the IRS. IRS Tips for Year-End Donations
|
|
| More about the RiverGanga Foundation. | |
All text, audio and video content offered free of charge on this website, unless otherwise indicated, is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 3.0 United States License. Updated daily since July 12, 2009 Click here to see the archived map showing where more than 43,000 visitors came from last year. © 2001-2010 RiverGanga Foundation.All rights reserved. |
|